Ribera del Lago
Saindo da Vinos del Larqui, subimos pouco mais de 300 quilômetros em direção à Santiago. Nosso ponto de encontro para chegarmos à próxima bodega era a cidade de Linares. A partir dali, tivemos um guia que nos conduziu até Colbún. Mais uma hora e chegamos à extremidade do Lago Colbún, já adentrando aos pés da Cordilheira dos Andes.
Apesar do caminho um pouco tortuoso, visitar Ribera del Lago foi algo único. Primeiro porque nesta região do Maule a paisagem não era tomada por vinhedos; segundo, porque o vinhedo fica realmente na “ribera del lago” e a vista era incrível; e terceiro, porque Rafael Tirado e seus vinhos estão muito acima da média.

Rafael Tirado é enólogo da Via Wines e tornou-se muito conhecido pelo trabalho desenvolvido na Veramonte, em Casablanca. Outra referência comum quando se fala de Rafael é que ele é irmão gêmeo e idêntico de Enrique Tirado (enólogo responsável pelo Don Melchor). Ribera del Lago é um projeto pessoal de Rafael, que resolveu implantar vinhedos no entorno de sua casa de campo, cujo objetivo inicial era apenas servir como refúgio de lazer para a sua família.
O lazer foi se tornando algo caro e sério. Hoje são em torno de dez hectares de vinhedo (as primeiras plantadas em 1991) com Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Pinot Noir, Sauvignon Blanc, Riesling…

O relevo não lembra em nada os vinhedos chilenos, pois como está localizada na pré cordilheira, o terreno é bastante acidentado e com encostas bastante íngremes. A mecanização é impraticável e a colheita deve ser muito cansativa. Em compensação, este relevo permite que Tirado pratique um pouco de sua obsessão em conseguir o melhor: ao dar uma volta pelos vinhedos, foi possível constatar diferentes conduções de videira, diversos clones de cada variedade, amplas possibilidades de exposição solar das vinhas e orientação dos vinhedos.

Chegou ao ponto de conduzir um vinhedo que reproduz o Labirinto de Chartres, que serviu de inspiração para o nome do seu vinho (Laberinto), e mais um vinhedo em formato de triângulo, com três subtriângulos internos, cada um com uma cepa (Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah). Em breve deve se tornar um vinho single vineyard.
entrada do labirinto

A sala de vinificação é composta por quatro tanques de cimento e mais alguns de inox. Tudo pequeno, limpo e funcional.

A sala de barricas também é um show à parte, tiveram que escavar uma das encostas da propriedade, construíram uma sala em formato de túnel com cerca de trinta metros de comprimento, e aterraram a encosta em seu formato original novamente. Além do estilo único, isto propicia a temperatura constante de 15ºC em seu interior.

Para toda a história se tornar coerente, faltava provar o produto final. O Marcel havia provado dois de seus vinhos durante as degustações para o Guia Descorchados e gostou muito. Tanto o Sauvignon Blanc quanto o Cabernet/Merlot estiveram entre os melhores vinhos do Chile no Guia 2010. Desta vez, as impressões foram confirmadas e ainda provamos um Cabernet/Merlot 1996 que estava precioso, mesmo com a juventude das videiras na época.



Como se não bastasse, fizemos as provas de Cabernet, Merlot, Syrah e Pinot Noir 2009 diretamente das barricas e podemos concluir que muitos prêmios virão pela frente. Algo surpreendente foi um Pinot Noir originado de clones 777 e que estava na barrica 3. Ali existe algo muito especial.

Como já estávamos próximos ao anoitecer e ainda tínhamos um jantar planejado em Santiago, nos despedimos já com imensa vontade de retornar.
Postado por Marcel Miwa e Nina Moori.